A má reacção do público à nova rede social da Google fez com que Todd Jackson, gestor de produto do “Buzz”, pedisse desculpa ao utilizadores do “Buzz” pelas falhas do serviço. Em declarações à “BCC”, Jackson afirmou que “é preciso melhorar as coisas” e que estão a trabalhar “arduamente” em soluções.
A justificação para os problemas prende-se com a falta de testes com público real visto que o “Buzz” foi testado apenas por trabalhadores da empresa (cerca de 20 mil), o que se revelou insuficiente, confessou Jackson ao Wall Street Journal.
A equipa do “Buzz” está agora concentrada em combater os problemas apontados pelos utilizadores. Uma das funcionalidades que mais enfureceu os pessoas foi o facto da rede social, que pretende combater o Facebook, seguir de forma automática os contactos com que os utilizadores do Gmail (serviço de correio electrónico da Google) mais falam.
As mudanças estão a ser feitas, mas, mesmo assim, um grupo de defesa da privacidade electrónica, o “EPIC”, afirma que ainda há falhas a corrigir, como, por exemplo, o facto de continuarem a existir sugestões de amizade tendo por base a actividade do Gmail, revela o jornal “The Guardian”.
Em relação a este problema, o director executivo da empresa, Eric Schmidt, afirma que o problema está numa falha de comunicação da Google sobre os serviços de privacidade do “Buzz”.
“Quando foi lançado, na terça-feira passada, as pessoas pensavam que íamos publicar a sua informação pessoal e endereço de correio electrónico, o que não é verdade”, disse Schmidt no Congresso Mundial de Tecnologias Móveis, em Barcelona, revela o “The Guardian”.
O responsável da empresa afirma que tudo se deveu a “confusão” e que “nada de mal aconteceu”, visto que nenhuma informação confidencial foi revelada.
Antes do lançamento, a cada 11 segundos surgia um tweet sobre o Buzz. Chegaram a ser escritos mais de mil textos por dia em fóruns de tecnologia sobre a nova rede social que a Google lançou a 9 de Fevereiro. Mas poucos dias depois, os rankings de pesquisas e de notícias relacionadas com o Buzz mostram que o interesse caiu drasticamente para perto do zero. Ironicamente, é possível ver esta queda usando a ferramenta "Google Insights for Search", que mede todas as buscas feitas na sua rede. O gráfico é muito claro: depois da euforia, o desaparecimento.
A razão número um do insucesso foi o problema de privacidade - qualquer utilizador de Gmail aderiu automaticamente ao Buzz e começou a seguir e a ser seguido pelos contactos com quem mais troca emails. Estas relações próximas ficaram visíveis a toda a rede (algo que, em casos como o de Tiger Woods, seria claramente comprometedor), e o próprio endereço foi disponibilizado a pessoas que estavam fora da rede pessoal do utilizador. E se quisessem sair do Buzz? Não era possível.
A Google apressou-se a corrigir os problemas e as definições de privacidade, é um facto. No entanto, mesmo depois disso, a forma como o Buzz foi construído, incluindo a interface, mereceu críticas dos especialistas. E a Google até partiu com um grande ponto de vantagem para a luta com o Twitter e o Facebook, os lideres das redes sociais: tem 180 milhões de utilizadores de Gmail. É provável que quase todos estes cibernautas estejam em redes sociais. Logo, tinha uma oportunidade imperdível para entrar na guerra com milhões de utilizadores instantâneos. Em vez disso, chateou os cibernautas e decepcionou os especialistas. O Buzz foi caracterizado por um bloguer como "uma inundação total de comentários que se espalham e crescem mais rapidamente que a mais insidiosa das ervas daninhas".
Também o especialista brasileiro Maurício Salvador, que vive na Califórnia, escreveu na revista electrónica especializada "Mundo do Marketing" que "o Google Buzz não conseguiu o buzz que queria". E explicou que o Facebook é, com os seus 400 milhões de utilizadores, uma causa de insónia para os executivos da empresa.
Porquê? A Google teme que o crescimento do Facebook e do Twitter leve as pessoas a transferirem as buscas do motor de busca para a rede social. Se alguém quiser saber onde há um café com pastéis de nata, talvez vá perguntar aos amigos do Facebook em vez de ir ao Google.
O Buzz pode ter, no entanto, uma segunda oportunidade. O MySpace anunciou que vai adicionar um botão buzz e o TweetDeck também irá incluir buzzes. Resta saber se os utilizadores querem adicionar mais uma rede social às que já têm. Informações do IOnline.
No dia 13 de julho de 2009, quando, pela primeira vez, demos o Facebook na capa do Link, ele nem era a maior rede social do mundo, mas já cravávamos que o site havia uma meta bem específica – e o descrevemos como sendo o principal rival do Google.
Aos poucos a comparação entre os dois se tornava mais evidente e uma teoria se formava. O Google surgiu em uma época em que as pessoas ainda estavam se entendendo com a internet e buscavam o que fazer uma vez conectadas. Comparada à saraivada de links do diretório de seu antigo site rival, o Yahoo, a homepage do Google era clean e minimalista, com um único campo de busca no meio de uma página branca, que parecia apenas perguntar que busca o usuário gostaria de fazer.
Veio a web 2.0, em que todo mundo poderia postar o que quisesse online sem a necessidade de entender de programação. Logo vieram as redes sociais e as pessoas começaram a se conectar entre si – e, num segundo momento, a compartilhar conteúdo. E aos poucos mandar uma notícia para outra pessoa, sugerir um site ou mostrar um vídeo engraçado não significava enviar um e-mail para vários destinatários ou esperar que alguém estivesse online no MSN.
Bastava publicar em seu perfil que seus contatos em determinada rede veriam quando o consultassem.
Foi aí que o Facebook floresceu. E o perfil de seus usuários logo deixava de ser uma página com informações pessoais para exibir links, fotos e vídeos, transformando o feed de notícias (área equivalente aos scraps no Orkut ou do blog no MySpace) na primeira coisa que qualquer um vê quando entra no Facebook. Com todo mundo postando sem parar, bastava entrar na rede social para saber o que fazer na internet. Isso tornou a homepage do Google obsoleta.
Esse movimento aconteceu entre 2008 e 2010, quando o Facebook deixou de ser uma aposta para se tornar uma certeza. E logo vieram as especulações a respeito de quando o Google lançaria sua própria rede social.

Mas a empresa não tinha um bom histórico nessa área. Seu caso mais bem sucedido era, até o ano passado, o Orkut, mas o site só deu certo no Brasil e na Índia. Outras tentativas deram com burros n’água. O Google Wave era complexo demais e queria “apenas” reinventar o e-mail (algo como lançar um novo modelo de automóvel com a intenção de, literalmente, reinventar a roda). O Google Buzz foi criado para aproveitar o vácuo do Twitter e até ensaiou dar certo, mas esbarrou em questões legais a respeito de invasão de privacidade. Os dois projetos deram tão errado que foram desligados.
Por isso quando começaram a especular sobre a rede social do Google para enfrentar o Facebook, seus executivos logo diziam que não estavam criando uma rede social, mas uma “camada social” que atravessaria todos os serviços que hoje oferece.
Aí veio o Google + que, por ser de quem é, foi a rede social que mais cresceu na curta história deste tipo de site. Foram 25 milhões de usuários apenas nos dois primeiros meses de atividade do site. E ao mesmo tempo em que cresceu tão rápido, nos provocava com a primeira pergunta que aflige qualquer novo usuário de qualquer nova rede social (“O que eu faço aqui?”) ao mesmo tempo em que causava celeuma entre os entusiastas do Facebook, que o considerava uma versão piorada do site de Mark Zuckerberg.
Mas, como começou a mostrar na prática na semana passada, o Google + não é a rede social do Google. A rede social do Google é o próprio Google.
Explico: quando um de seus fundadores (Larry Page) assumiu o cargo de CEO (antes ocupado por Eric Schmidt) no início de 2011, ele começou a organizar a casa para fazer os inúmeros produtos do site (o navegador Chrome, o sistema operacional Android e as dezenas de sites e serviços oferecidos gratuitamente) conversarem entre si.
Uma operação interna, mas que poderia ser percebida por usuários mais atentos. Aos poucos, aparecia uma lista de links acima de sua homepage, apontando para outros serviços, como o Google Maps, a busca por imagens ou por vídeos, o Google News, entre outros. A lista virou uma barrinha, a princípio branca, que logo ganhou a cor cinza e depois escureceu ainda mais, trazendo ainda outros links para mais serviços da empresa.
E assim que o Google + foi lançado, dois itens novos surgiram nessa barra. O primeiro apareceu bem à direita e trazia a foto que o usuário escolheu para sua conta no Google seguida de seu nome, um número que mostrava se havia novidades no Google + e um campo escrito apenas “compartilhar”. Na ponta esquerda, o primeiro item deixava de ser a busca pura e simples do Google para se tornar o nome do próprio usuário, acrescido de um símbolo de adição (o + da “camada social”) à esquerda.
Essa barrinha está presente em qualquer serviço do Google. Resta agora saber se o Google irá conseguir fazer que as pessoas compartilhem conteúdo no campo específico que determinaram para isso. Enquanto isso, eles seguem tentando – e o anúncio da semana passada foi o primeiro passo para colocar a tal camada social em prática.
É que agora, quando você faz uma busca através do Google, tem duas opções de resultados: ou você vê os links que a maioria das pessoas viu quando buscou pelo termo que você acionou ou pode escolher apenas os links indicados pela sua rede de contatos, restringindo as opções de busca mas trazendo-as para seu contexto pessoal. A mudança pode ser percebida em dois ícones à direita da página, na altura do campo de busca. Clicando no ícone que é um pequeno globo, você vê os resultados gerais. Clicando no ícone que é um pequeno busto, vê o que seus amigos e conhecidos também buscaram.
Essa decisão já gerou controvérsia – a começar pelo Twitter, que afirmou que a mudança restringe o acesso às notícias que estão sendo publicadas naquele exato momento (que é a função atual da rede social dos 140 caracteres), com resultados do Twitter caindo para baixo nas buscas feitas em modo pessoal.
Outro problema é que isso restringe ainda mais a área de alcance de quem quer saber o que está acontecendo, ponto crucial de um dos melhores livros do ano passado, The Filter Bubble (ainda não lançado no País), do norte-americano Eli Parisier. Ele argumenta que, a partir do momento em que os algoritmos das redes sociais vão entendendo a forma como cada um funciona na rede, eles vão oferecendo apenas opções relacionadas ao gosto de quem clica. Isso parece ser prático em teoria – quem clica em muitas notícias de esporte, por exemplo, veria mais notícias relacionadas a esse assunto do que as outras. Mas, contudo, perderia outros assuntos que poderia se interessar, sem ao menos saber que eles estão acontecendo.
Era uma crítica quase direta ao Facebook, mas a partir do momento em que o Google adota uma prática parecida, ela cai como uma luva também para o gigante das buscas. E se você não corre o risco de trombar com algo novo, inusitado ou surpreendente, vai ficar cada vez mais preso à tal bolha-filtro concebida por Parisier.
E isso nos leva à principal dúvida em relação ao Google em 2012: e se, ao apostar em transformar-se numa enorme rede social, o site perderá a mão? E se as pessoas cansarem ou enjoarem de usar o Google? Parece apocalíptico, mas não custa lembrar a velocidade em que as coisas acontecem no mundo digital.
Fonte: Estadão
O Buzz é um conjunto de mecanismos implantados no serviço de e-mails Gmail que permitem ao usuário interagir com seus contatos de forma análoga a uma rede social de internet, como o Facebook. Trata-se de uma investida da empresa de buscas no ramo de redes sociais.
Após o lançamento, na terça-feira, a empresa foi criticada por “expor informações pessoais de seus usuários sem a aprovação deles”, afirma o FT. O cerne das reclamações é o fato de que o Buzz cria automaticamente, no Gmail, uma rede social formada pelos contatos dos usuários de e-mails.
“As pessoas estão surpresas com o fato de o Google tratar uma lista de contatos privados (os e-mails) como uma lista de ‘amigos’”, afirmou ao FT o chefe do Centro de Informações Privadas Eletrônicas, Marc Rotenberg.
As alterações anunciadas pelo Google como resposta incluem uma forma de tornar mais fácil, para os usuários, mexer nas configurações de privacidade, permitindo escolher quem pode e quem não pode ver listas pessoais de contatos.
“Entretanto, a lista de contatos continuará a ser pública até que o usuário faça as mudanças”, afirma o FT. O jornal acrescenta que o Facebook também mudou suas configurações de forma a tornar mais públicas as listas pessoais de contatos, mas depois voltou atrás parcialmente.
O interesse do Google e do Facebook em transformar dados pessoais em públicos é, na visão do jornal, uma tentativa de bater a popularidade do Twitter – site em que a maior parte dos usuários tem perfis públicos.

