Quem ama o fake, bonito lhe parece. A criação de perfis falsos em mídias sociais, como no Twitter e no Facebook, é daqueles fenômenos de internet que inspiram amor e ódio. Agora, criar na web uma conta falsa, com efeito de difamação, acaba de virar crime específico no estado norte-americano da Califórnia e inspira a formatação de um projeto de lei, com mesmo objetivo, que dever ser proposto no Brasil já este mês. Enquanto isso, a cultura de perfis que retratam celebridades de mentirinha ganha seguidores em ritmo frenético, especialmente no Twitter.
O terreno do microblog jamais foi teclado por figuras como Hebe Camargo e Victor Fasano. Mesmo assim, o perfil da apresentadora tem mais de 35 mil seguidores e as tuitadas do modelo e ator são acompanhadas por quase 76 mil pessoas. Bordões como “Ma che” e “Vamos acompanhar”, próprios ao léxico do fake de Nair Bello, são replicados por seus 78 mil seguidores. O sucesso é tanto que os autores dos perfis começam a perder o medo e a sair do anonimato, para defender o que chamam de “homenagem”.
Complexidade
O autor do perfil de Nair, o empresário Gustavo Braun, cita a Nonna (como a personagem é chamada por seus seguidores) para justificar: “A Nonna sempre diz no Twitter: ‘Quem morre some dos olhos, mas não do coração’. Tenho pena de quem diz que a pessoa que morreu tem que ser deixada em paz. Se a pessoa é incrível, tem que ser homenageada sempre, não pode ser esquecida”. Para ele, “estar no Twitter mantém Nair um pouco mais viva.”
Mas a homenagem nem sempre é encarada com bons olhos, especialmente em casos que envolvem o uso de personagens com direitos autorais reservados. Em questões polêmicas e complexas como essas, muitas vezes confundem-se os limites entre liberdade de expressão e propriedade intelectual. O caso da personagem Magali, criada por Maurício de Souza, usada por uma dançarina que virou hit no YouTube, mereceu resposta do autor da Turma da Mônica. Em comunicado publicado no Twitter, ele comentou, inclusive com muita condescendência, o sucesso da moça, mas observou: “Vi traços de um personagem meu usados indevidamente em uma publicidade de rua”.
Piada ou ofensa
Fakes são perfis falsos criados em redes de relacionamento na internet. Normalmente, publicam conteúdo de forte teor humorístico, embora, muitas vezes, o limiar entre piada e ofensa seja tênue. Informação do Estado de Minas.
Cibercriminosos brasileiros, conhecidos por desenvolver ataques virtuais que roubam dados de acesso aos bancos pela internet, agora investem em um novo tipo de ataque por meio do Facebook. Desde o final do ano passado, eles distribuem mensagens de spam distribuídas na rede social como “Mude a cor do seu perfil” e “Veja quem acessou o seu perfil” com links que roubam o nome de usuário e senha de acesso na rede social. A partir de então, os perfis das vítimas são usados para “curtir” páginas de empresas que pagam o criminoso para aumentar sua popularidade na rede social.
De acordo com investigação de Fábio Assolini, analista de malware da Kaspersky para o Brasil, um grupo de cibercriminosos criou um site para vender pacotes de “likes” (cliques no botão Curtir) para empresas que querem divulgar seus serviços na rede social.
O pacote mais barato do serviço oferece 1 mil “likes” e custa R$ 50. Se o cliente quiser investir mais, pode comprar até 100 mil “likes” dos cibercriminosos por R$ 3,9 mil. “Não sabíamos como eles estavam ganhando dinheiro com os ataques, mas descobrimos que eles prestam serviços para empresas que tem fan pages no Facebook”, disse Assolini, ao iG.
O ataque funciona assim: o cibercriminoso distribui mensagens nos perfis de milhares de usuários da rede social com links maliciosos que pedem autorização do internauta para instalar um plug-in (complemento) no navegador. Ao permitir que este plug-in seja instalado, o cibercriminoso ganha acesso aos dados de acesso do usuário à rede social, o que permite que ele replique as mensagens de spam para outras pessoas e também “curta” páginas de empresas, sem o consentimento do usuário. “Eles usam recursos que geralmente a rede social não oferece para chamar a atenção”, diz Assolini.
A estratégia dos cibercriminosos não é exatamente nova. Anos atrás, quando o uso do Orkut aumentou rapidamente no Brasil, grupos de cibercriminosos também usavam mensagens que promoviam recursos inexistentes para enganar usuários. “Com a adoção massiva dos brasileiros ao Facebook é natural que os golpes migrem de uma rede social para a outra”, diz Assolini. No final de 2011, o Facebook superou o Orkut e se tornou a rede social mais popular no Brasil. Segundo o analista, os ataques atualmente realizados por meio do Facebook atingem, principalmente, usuários dos navegadores Google Chrome e Mozilla Firefox.
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Como “salvar” seu perfil
Se você clicou em algum link malicioso nestes spams distribuídos no Facebook deve resistir à tentação de mudar sua senha imediatamente. Isso não salva o perfil do ataque, já que o plug-in continuará instalado no navegador e coletará novamente seus dados de acesso à rede social. “É preciso desinstalar o complemento que o usuário instalou sem querer”, diz Assolini. Para fazer isso no Chrome, basta acessar o menu “Ferramentas” e depois “Extensões”. Procure um plug-in identificado pelo nome “adobeflashplayer” e exclua o arquivo.
Saiba como remover complementos maliciosos de seu navegador
No Firefox, acesse o menu “Ferramentas” e depois “Complementos”. O nome do plug-in malicioso é o mesmo e deve ser desinstalado ou excluído da lista. Depois de fazer o procedimento, o internauta deve trocar sua senha de acesso à rede social que, certamente, já havia sido registrada pelos cibercriminosos. Segundo Assolini, usuários do Internet Explorer não foram vítimas do ataque no Facebook até agora.
Para evitar o ataque, Assolini recomenda que os internautas desconfiem quando receberem mensagens sobre recursos muito vantajosos por meio da rede social. Outra dica é tomar cuidado ao permitir que qualquer complemento seja instalado por um site visitado. Outra opção é optar pelo acesso a versão segura do Facebook, com endereço iniciado em HTTPS. “Alguns desses plug-ins são bloqueados pela versão segura e não funcionam mesmo que o internauta clique sobre links maliciosos”, diz o analista.
Reportar o ataque a equipe do Facebook também é necessário para evitar que o número de vítimas continue aumentando. Ao acessar uma página que oferece as mensagens com links maliciosos, use o botão “Denunciar/Reportar página” para avisar a rede social sobre o ataque. A rede social investiga a página apenas se receber diversas denúncias de usuários. “O Facebook tem retirado essas mensagens do ar, mas de uma forma lenta, por conta do idioma em português”, diz Assolini.
FOnte: IG

