O Marketing digital é uma ferramenta que se faz necessária para todas as empresas que buscam interagir com seus consumidores. A Fiat é uma das empresas que vêm investindo neste nicho nos últimos 10 anos e o resultado começa a aparecer. Com cada vez mais internautas citando as marcas em redes sociais ou blogs, surge um canal de relacionamento em que a troca de informações entre empresa e cliente parece não ter fim.
Além de estreitar o relacionamento, a Petrobras reconhece que a web é uma forma de gerar empatia quando a empresa atravessa um período de questionamentos, como a recente discussão sobre o pré-sal. Naquele momento a Petrobras lançou um blog em que os internautas puderam alimentá-lo com informações diversas, positivas ou negativas, desde que pertinentes.
O desafio encontrado pela Fiat foi aplicar o Marketing digital em uma indústria engessada como é a automotiva. Após uma década de implementação da ferramenta, a empresa colhe os frutos de blogs para os modelos Linea e Mio. Sucesso com os internautas, a ferramenta oferece a possibilidade de montar o veículo, sugerir itens, além de entrevistas com funcionários envolvidos na produção.
Blogs construtivos
Um filme produzido para a estratégia de Marketing on-line da Fiat, para
o modelo Mio, fez tanto sucesso que foi levado para a TV a cabo. Isto
mostra a força da internet e a aceitação e o dinamismo que a web possui
para impactar os consumidores. Tanto é que não são poucos os blogs e
comunidades criadas pelos internautas. “Algumas marcas se aproveitam
disso, como a Starbucks, que recebe ideias pelo site”, diz Ana Luisa
Brant Mendes, Gerente de Internet da Fiat, citando o caso em que a rede
de café premium recebeu a sugestão de um consumidor para criar o gelo
feito de café.
O Marketing digital dá uma abertura que é própria de sua natureza. Por isso, é recomendável cuidado na hora de pisar neste mundo. Pensando assim, a Fiat esperou o momento certo para criar este canal para tentar mudar a forma de chegar aos seus clientes. “Eles não são mais target e sim o meio. Cabe a empresa participar desses diálogos”, explica Ana durante o III Fórum Internacional ABA Petrobras de Comunicação Digital.
Para tangibilizar o diálogo com os futuros proprietários do Fiat Linea, a comunicação digital foi pensada e lançada antes do carro a fim de dar liberdade para os internautas. Além disso, esta foi uma maneira que a Fiat encontrou para minimizar as diferenças de mercado de um veículo que vinha de um país diferente do Brasil. “Não podemos simplesmente trazer um produto para o Brasil. Existe a ‘tropicalização’ de todos os modelos que vêm de outros países”, conta a gerente de internet da Fiat.
Lançamento digital e monitoramento
Além de depoimentos de colaboradores, o blog do Linea apresentou um
vídeo do presidente no lançamento que, segundo Ana, foi o terceiro mais
visto no YouTube na ocasião. Após uma pesquisa com os primeiros
compradores do veículo, a Fiat percebeu que 8% deles souberam do carro
pelo blog. “Este resultado nos inspirou a ir mais longe e ousar mais.
Por isso, para o novo Linea, estamos pedindo para que os internautas
nos enviem imagens sobre o carro do futuro”, ressalta a executiva.
A estratégia para este modelo é fazer com que as pessoas brinquem de criar um carro do futuro, passando por cinco etapas: nosso futuro, pergunta-chave, ideias para o carro, briefing, projetando o carro do futuro, organização de ideias. O projeto da Fiat para este ano é oferecer ao internauta a opção de escolher o nome do carro e até como será a campanha digital. “O blog do Mio já tem mais de 1 milhão de visitas desde agosto de 2009 e reunimos mais de 8 mil ideias para o carro”, afirma Ana.
A experiência adquirida pela Petrobras ao abrir um canal para conversar com os brasileiros surpreendeu a empresa positivamente. Tanto é que a companhia já realizou a ação on-line “Se a Petrobras fosse um filme, como seria o trailler?” e hoje a empresa monitora vídeos postados na internet. Além disso, com uma reformulação no site, a petrolífera nacional passa a contar uma história de forma mais próxima.
Negativo ou positivo?
O investimento na internet é baseado também em parcerias e projetos
patrocinados pela estatal. “Contamos a história da empresa de forma
gostosa, lúdica, com infográficos, através de personagens importantes
para a Petrobras, como o Projeto Tamar e o Nós No Morro”, aponta
Leonardo Sá, coordenador de comunicação digital de multimeios da
Petrobras.
Lançado em meio à polêmica do pré-sal, o blog foi importante para
mostrar que a companhia não fugiria da questão mesmo em um momento de
crise. "Tivemos uma repercussão fantástica com opiniões contra e a
favor. Foram mais de 1 milhão de acessos sem apoio de mídia. Foi uma
iniciativa de extrema coragem. temos muitas histórias para contar, mas
devemos criar algo mais lúdico nelas”, opina Leonardo Sá, da
Petrobras.
Segundo Leonardo Sá, ao lançar o blog na internet, a Petrobras sabia que poderia ter criado um canal digital contra a imagem da empresa. A comunicação digital está se aperfeiçoando e mudando rapidamente. “Nossa preocupação é olhar para onde ela pode nos levar e trabalhar da melhor forma possível. No blog, as questões mais polêmicas levantadas pelos usuários têm uma atenção maior”, completa.
Sua marca é líder de vendas no país, em um semestre que registrou o recorde histórico de vendas de carros. Aí, a marca resolve fazer uma megacampanha para lançar a nova geração de um de seus clássicos carros populares. Perfis em redes sociais, fotos aqui e ali, e até uma “entrevista coletiva” via Formspring. O que poderia dar errado? A resposta vem em três palavras: falta de preparo. A cada dia, pipocam novos anticases de tratamento a consumidores nas redes sociais. Eu mesmo já fui chamado de “mentiroso” pela KingHost. E nesta quarta (5), quem resolveu entrar para esse time nada agradável foi a Fiat.
No lançamento de sua campanha do @novofiatuno, a Fiat passou a responder perguntas dos consumidores no Formspring. Foram mais de 5.400 perguntas enviadas em nove dias, e tudo ia bem até que algum “profissional” com total falta de tato e bom senso resolveu jogar toda uma campanha no lixo
Não bastasse o fato de não responder adequadamente a pergunta, não explicando porque não se produzem carros cor de rosa, o responsável pelo “grupo Happy Hour” ainda alfinetou a torcida do São Paulo – que é apelidada por torcedores adversários de “bambi”. Se uma pessoa comum faz uma provocação a um clube ou fiéis de uma religião, teoricamente isso não importa para o mercado. Agora, quando uma marca expõe isso num canal oficial de comunicação, o efeito é desastroso.
Em minutos, criou-se um buzz negativo muito forte para a Fiat, sendo tachada até de homofóbica. Ao atribuir um estereótipo a uma das maiores torcidas do país – justamente a que mais cresce entre os jovens, que por sua vez, são os que mais usam redes sociais – a montadora italiana dá um tiro no pé difícil de cicatrizar. Quer dizer então que gays não compram carros? Ou pior, não existem compradores para carros cor de rosa, independentemente de suas opções sexuais? Acreditem: há mercado para todos na era digital. Há até uma rede social para criadores de chinchilas com mais de 5 mil membros. E em tempos onde explorar nichos é o que as empresas bem-sucedidas fazem, a Fiat foi na contramão, com o perdão do trocadilho.
E o pior: não foi a primeira vez… Veja o que a montadora respondeu a outra pergunta sobre cores:
Mais uma vez, uma piadinha relacionada a um clube de futebol paulista. A provocação desta quarta já foi uma ofensa direcionada a 11 milhões de torcedores, e nesse caso, mais 8 milhões de potenciais compradores palmeirenses ganharam sua cota de piada de péssimo gosto. E o pior: torcedores de um clube patrocinado pela Fiat. Será que a montadora resolveu fazer como a Locaweb? Ou teria contratado o ex-executivo Alex Glikas, que fez provocações ao mesmo São Paulo, quando a empresa patrocinava o clube?
Quando os consumidores começaram a reclamar, a Fiat se calou por horas. Não twittou, ignorou perguntas no Formspring, não respondeu e-mails e retirou seu site do ar no início da noite. Limitou-se a um esclarecimento mínimo:
Mais do que demitir os responsáveis pelas brincadeiras inoportunas, a Fiat e sua agência de mídias sociais devem corrigir os erros oferecendo a tal pintura cor de rosa, ainda que como opcional. É o primeiro passo para se redimir. Mais que bom monitoramento de marca, é preciso ter cuidado ao selecionar quem cuida dela nas redes sociais. Ou então se preparar para marcar “Uno” belo Gol. Contra.
Informações do Midias Sociais, @idegasperi

