Esse conhecimento é
fundamental para avaliar oportunidades de mercado e mensagens de
diferenciação, ofertas de produtos, estratégias de mídia e até mesmo
preços.
Hoje, uma abordagem baseada em comunidades online para segmentação – que é mais barata e mais eficaz do que as metodologias tradicionais baseadas nos sistemas de gestão de relacionamento com clientes, ou CRM – está se tornando possível à medida que os consumidores migram para a web.
Desde o surgimento do computador central, as empresas têm contado com sistemas de CRM para segmentação. Estes sistemas separam dados de mercado e dados de clientes, colocando clientes e prospectos em diferentes “compartimentos”, divididos de acordo com fatores demográficos, comportamentais e outros. Essa segmentação permite que as empresas desenvolvam produtos sob medida e realizem marketing pessoal.
O sistema CRM foi muito bem sucedido, mas a segmentação baseada em CRM tem um custo. Os dados devem ser coletados, os comportamentos, analisados, e os segmentos, identificados, antes que ofertas sejam criadas e mensagens, transmitidas. A implementação pode ser complexa, visto que envolve a construção de várias pontes para as ilhas de informação. A coleta de dados em curso, bem como os recursos necessários para a análise sofisticada, podem fazer com que o CRM seja colocado fora do alcance das pequenas e médias empresas.
Como resultado, o boletim de CRM é misto.
Hoje em dia, há uma alternativa melhor disponível: o aumento do número de redes sociais, bem como de comunidades online, combinado com a nova era de consumo na web, possibilita que as empresas colham benefícios da segmentação sem ter que arcar com muitos dos seus custos ou complicações.
Cada vez mais, os consumidores online estão se segmentando em comunidades, com base em características comuns, paixões, interesses ou necessidades. A "autossegmentação" pode ser muito mais precisa e pode refletir melhor os atributos dos consumidores que os dados do sistema CRM, uma vez que ninguém conhece os consumidores com todas suas complexidades, variáveis demográficas, questões psicológicas, entre outras coisas melhor do que eles mesmos.
Em vez de enfrentar a dificuldade de classificar os consumidores em categorias tão mal definidas como “tradicionalistas” ou “empreendedores”, as empresas podem se vincular às comunidades de interesse do consumidor – ou “tribos”, segundo Seth Godin, guru do marketing.
Ao contrário das arbitrárias classificações do sistema CRM, essas comunidades autosselecionadas não apenas refletem os verdadeiros interesses dos consumidores como, ainda mais importante, envolvem também a ligação destes a outros com as mesmas paixões. Isso abre portas para promover embaixadores da marca, permitindo que haja colaboração do cliente e facilitando a divulgação boca a boca da estratégia e das empresas.
Há muito tempo, os consumidores têm buscado se interligar a comunidades, grupos, clubes, ligas e associações. Essas comunidades representam uma base de lançamento precioso para iniciativas de divulgação boca a boca, uma vez que a confiança e a credibilidade são alguns dos laços que unem as pessoas.
Essa identificação apresenta inúmeras oportunidades. Em primeiro lugar, as comunidades relevantes representam grupos autosselecionados que compartilham um ou mais interesses, reduzindo substancialmente os custos, tempo e trabalho necessário para identificar e segmentar – prospectos qualificados de grandes mercados. Além disso, participar de comunidades de compartilhamento de paixões e interesses oferece bem mais informações sobre comportamento de compra em potencial do que atributos como o lugar de residência ou inclinações políticas.
Participar e interagir em comunidades oferece uma chance maior para que os comerciantes coletem dados diretamente dos consumidores, sem terem que passar pelo filtro de pesquisa de mercado. Além disso, as empresas podem participar de conversas que incluem a marca em vez de competir com cerca de três mil a cinco mil mensagens que bombardeiam consumidores diariamente.
Contanto que as normas comunitárias sejam respeitadas, as empresas podem interagir sem se preocupar com nenhum tipo de constrangimento.
Por fim, os participantes podem orientar o desenvolvimento de produtos e identificar falhas em serviço ou de outras áreas para ajudar as empresas na melhora da marca.
As redes sociais estão tendo o mesmo impacto revolucionário nas empresas e no relacionamento com os clientes que o sistema CRM teve no marketing de massa. Mas, embora o CRM tenha adotado uma abordagem top-down (de cima para baixo, em tradução literal) – mercados de mapeamento, grupos direcionados e mensagens de posicionamento – as redes sociais exigem uma abordagem bottom-up (de baixo para cima), abordagem colaborativa baseada em marcas de uma empresa, missão ou objetivos sociais.
Grandes varejistas e grandes empresas podem tentar compreender os segmentos, e mesmo os indivíduos, pela personalização de sites e de filtragem colaborativa. No entanto, essas são estratégias caras e complexas, com fraquezas e falhas.
A opção mais simples é ter uma variedade de conteúdo opcional – boletins informativos, feeds RSS, white papers, blogs e assim por diante – que sejam acessíveis aos visitantes. Esses visitantes podem ser segmentados de acordo com seus interesses informativos.
A customização em massa tem uma oferta de base e permite aos clientes adequá-las às suas necessidades.
Esta tem sido utilizada para produtos de jeans, tênis e acessórios para dispositivos eletrônicos e computadores, carros e casas.
Embora a autossegmentação ainda seja emergente, é uma estratégia que se encaixa nos imperativos do mercado, simbolizados pelos movimentos prosumer (provém da junção de producer – produtor – e consumer – consumidor), crowdsourcing (modelo de produção que utiliza a inteligência e os conhecimentos coletivos na internet para resolver problemas, criar conteúdo ou desenvolver tecnologias) e processos de co-criação com os clientes. Estão baseados na constatação de que as empresas e os clientes devem participar de forma interdependente no desenvolvimento interativo de produtos e serviços.
* Nick Wreden é consultor de marca internacional.
Jornal do Brasil
Tradução: Nicole Maciel
Hoje, uma abordagem baseada em comunidades online para segmentação – que é mais barata e mais eficaz do que as metodologias tradicionais baseadas nos sistemas de gestão de relacionamento com clientes, ou CRM – está se tornando possível à medida que os consumidores migram para a web.
Desde o surgimento do computador central, as empresas têm contado com sistemas de CRM para segmentação. Estes sistemas separam dados de mercado e dados de clientes, colocando clientes e prospectos em diferentes “compartimentos”, divididos de acordo com fatores demográficos, comportamentais e outros. Essa segmentação permite que as empresas desenvolvam produtos sob medida e realizem marketing pessoal.
O sistema CRM foi muito bem sucedido, mas a segmentação baseada em CRM tem um custo. Os dados devem ser coletados, os comportamentos, analisados, e os segmentos, identificados, antes que ofertas sejam criadas e mensagens, transmitidas. A implementação pode ser complexa, visto que envolve a construção de várias pontes para as ilhas de informação. A coleta de dados em curso, bem como os recursos necessários para a análise sofisticada, podem fazer com que o CRM seja colocado fora do alcance das pequenas e médias empresas.
Como resultado, o boletim de CRM é misto.
Hoje em dia, há uma alternativa melhor disponível: o aumento do número de redes sociais, bem como de comunidades online, combinado com a nova era de consumo na web, possibilita que as empresas colham benefícios da segmentação sem ter que arcar com muitos dos seus custos ou complicações.
Cada vez mais, os consumidores online estão se segmentando em comunidades, com base em características comuns, paixões, interesses ou necessidades. A "autossegmentação" pode ser muito mais precisa e pode refletir melhor os atributos dos consumidores que os dados do sistema CRM, uma vez que ninguém conhece os consumidores com todas suas complexidades, variáveis demográficas, questões psicológicas, entre outras coisas melhor do que eles mesmos.
Em vez de enfrentar a dificuldade de classificar os consumidores em categorias tão mal definidas como “tradicionalistas” ou “empreendedores”, as empresas podem se vincular às comunidades de interesse do consumidor – ou “tribos”, segundo Seth Godin, guru do marketing.
Ao contrário das arbitrárias classificações do sistema CRM, essas comunidades autosselecionadas não apenas refletem os verdadeiros interesses dos consumidores como, ainda mais importante, envolvem também a ligação destes a outros com as mesmas paixões. Isso abre portas para promover embaixadores da marca, permitindo que haja colaboração do cliente e facilitando a divulgação boca a boca da estratégia e das empresas.
Há muito tempo, os consumidores têm buscado se interligar a comunidades, grupos, clubes, ligas e associações. Essas comunidades representam uma base de lançamento precioso para iniciativas de divulgação boca a boca, uma vez que a confiança e a credibilidade são alguns dos laços que unem as pessoas.
Essa identificação apresenta inúmeras oportunidades. Em primeiro lugar, as comunidades relevantes representam grupos autosselecionados que compartilham um ou mais interesses, reduzindo substancialmente os custos, tempo e trabalho necessário para identificar e segmentar – prospectos qualificados de grandes mercados. Além disso, participar de comunidades de compartilhamento de paixões e interesses oferece bem mais informações sobre comportamento de compra em potencial do que atributos como o lugar de residência ou inclinações políticas.
Participar e interagir em comunidades oferece uma chance maior para que os comerciantes coletem dados diretamente dos consumidores, sem terem que passar pelo filtro de pesquisa de mercado. Além disso, as empresas podem participar de conversas que incluem a marca em vez de competir com cerca de três mil a cinco mil mensagens que bombardeiam consumidores diariamente.
Contanto que as normas comunitárias sejam respeitadas, as empresas podem interagir sem se preocupar com nenhum tipo de constrangimento.
Por fim, os participantes podem orientar o desenvolvimento de produtos e identificar falhas em serviço ou de outras áreas para ajudar as empresas na melhora da marca.
As redes sociais estão tendo o mesmo impacto revolucionário nas empresas e no relacionamento com os clientes que o sistema CRM teve no marketing de massa. Mas, embora o CRM tenha adotado uma abordagem top-down (de cima para baixo, em tradução literal) – mercados de mapeamento, grupos direcionados e mensagens de posicionamento – as redes sociais exigem uma abordagem bottom-up (de baixo para cima), abordagem colaborativa baseada em marcas de uma empresa, missão ou objetivos sociais.
Grandes varejistas e grandes empresas podem tentar compreender os segmentos, e mesmo os indivíduos, pela personalização de sites e de filtragem colaborativa. No entanto, essas são estratégias caras e complexas, com fraquezas e falhas.
A opção mais simples é ter uma variedade de conteúdo opcional – boletins informativos, feeds RSS, white papers, blogs e assim por diante – que sejam acessíveis aos visitantes. Esses visitantes podem ser segmentados de acordo com seus interesses informativos.
A customização em massa tem uma oferta de base e permite aos clientes adequá-las às suas necessidades.
Esta tem sido utilizada para produtos de jeans, tênis e acessórios para dispositivos eletrônicos e computadores, carros e casas.
Embora a autossegmentação ainda seja emergente, é uma estratégia que se encaixa nos imperativos do mercado, simbolizados pelos movimentos prosumer (provém da junção de producer – produtor – e consumer – consumidor), crowdsourcing (modelo de produção que utiliza a inteligência e os conhecimentos coletivos na internet para resolver problemas, criar conteúdo ou desenvolver tecnologias) e processos de co-criação com os clientes. Estão baseados na constatação de que as empresas e os clientes devem participar de forma interdependente no desenvolvimento interativo de produtos e serviços.
* Nick Wreden é consultor de marca internacional.
Jornal do Brasil
Tradução: Nicole Maciel
Grandes players da publicidade nacional, como DM9DDB e Euro RSCG, engrossam o coro de operações menores e especializadas em marketing digital, como a Enken, e passam a investir cada vez mais em ações voltadas a ampliar o espaço dos anunciantes nas redes sociais, seguindo uma tendência mundial.
Isto porque, apesar de ser mais fácil ganhar em compra de mídia e produção de sites do que investir em planejamento e criação de comunicação de redes sociais, as agências de publicidade e de mídia digital miram o crescente interesse de marcas como Gafisa, Brastemp e IBM em participar deste universo que reúne milhões de internautas, como Orkut (27 milhões de visitantes em dezembro, ou 74% do total de internautas no mês), Facebook (7 milhões de visitantes no mesmo período) e Twitter (8 milhões de visitantes). Em maio de 2009, a porcentagem de participação do Facebook era só 9%. "O crescimento de redes sociais no Brasil ultrapassa o dos sites busca e portais", afirma Cris Rother, diretora executiva do Ibope Nielsen Online, que faz medições sobre internet no Brasil.
A DM9, agência do grupo ABC liderada por Sérgio Valente, criou uma área dedicada a estratégias em mídias sociais e estima que este ano haja uma demanda acentuada para ações de convergência, com ações que se iniciam na Internet e cheguem à televisão.De acordo com Bruno Tozzini, diretor de criação de mídias sociais, essa integração já é uma realidade no planejamento das campanhas de todos os clientes da agência. "A criação é adequada a todas as mídias, passando pelas redes sociais, e a demanda tem se acentuado para quase todos os clientes da agência. Este ano, esperamos o crescimento de projetos de convergência, que podem nascer de um filme de internet para um para TV", explica.
A fabricante Brastemp e o portal Terra estão entre os clientes que realizam mais ações nas mídias sociais, que envolvem desde ações de promoção e relacionamento, como sorteio de prêmios vinculados a acessos a sites, envio de mensagens ou cadastros em redes como Twitter e Facebook, a realização de eventos, ingressos para shows e oferta de conteúdo aos usuários, como jogos, vídeos ou blogs patrocinados pelas marcas. "Grande parte das ações são voltadas à ativação de marcas e a relacionamento", diz. "Desenvolvemos recentemente um 'Autorama' virtual para a Estrela, no Twitter, que começou apenas como um jogo e evoluiu para ações promocionais", conta o criativo.
O publicitário destaca que nenhuma das ações envolve compra de mídia, embora algumas redes, como o Facebook, já comecem a sinalizar mudanças no modelo de negócio de modo a ampliar o controle sobre a receita publicitária. "Estamos azeitando com as redes e os anunciantes este modelo de remuneração, o processo está bem inicial. Até então, funcionava através da compra de mídia. Agora, a idéia é focar na criação", explica.
Muitas das ações nas redes, como criar o perfil de uma marca no Twitter, por exemplo, não envolvem investimentos diretos na mídia e envolvem a adesão voluntária dos internautas. Em 2009, a DM9 totalizou R$ 1,4 bilhão em compra de mídia.
Outra que tem conquistado clientes com a criação de planos estratégicos para inserção das marcas em mídias sociais é a Enken, especializada em mídia digital, que estima crescimento de 50% este ano por conta da expansão dos investimentos publicitários na internet.
Este ano, conquistou as contas digitais de Lacta e da rede de hospitais Santa Joana e aguarda o resultado de cinco concorrências. "As empresas começaram a nos convidar a participar das estratégias junto com outras agências. Normalmente, as campanhas já vinham com uma linha criativa definida pelas agências offline", afirma David Reck, diretor da Enken.
A empresa conquistou a conta da Gafisa, um anunciante que não tinha uma presença digital muito forte, com ações na web mais voltadas à promoção dos atributos institucionais da empresa. No meio do ano, porém, +a agência participou de uma concorrência e venceu.
O empresário vê alta demanda para as marcas nas redes sociais, mas ressalta que antes de entrar nas redes, é necessário criar uma infraestrutura de atendimento.
"Ao criar um canal na rede social, a marca cria automaticamente um canal de atendimento ao consumidor - o que ele disser vai ficar publicado. Por isso, incentivamos o anunciante a fazer um planejamento prévio para que ele avalie o retorno que isso trará à sua imagem e ajudamos o cliente a estruturar processos e departamentos para suportar os investimentos, criando um cenário de alavancagem."
Monitoramento
Outra gigante que anunciou recentemente maior foco às ações digitais foi a Euro RSCG, que reativou a Euro RSCG 4D, marca global da rede pertencente ao grupo Havas. "Nosso objetivo é dar prosseguimento à estratégia digital da Euro no mundo. Nossa meta é que a receita digital alcance a da área tradicional nos próximos 4 anos. Em alguns mercados que a rede atua, já chega a 50%", declarou Ricardo Monteiro, presidente da Euro RSCG para América Latina, Portugal e Brasil.
A rede realizou uma pesquisa de comportamento dos usuários nas mídias sociais que teve sua primeira edição feita nos Estados Unidos e este ano será replicada pelas operações de outros países, entre eles o Brasil.
O investimento em redes sociais está entre as prioridades do posicionamento da Euro no mundo inteiro, baseado em pesquisas de comportamento dos usuários e na elaboração de ferramentas para monitorar a reputação dos anunciantes nas redes. "Uma das contas globais mais recentes da rede, a da IBM, terá um projeto de monitoramento da marca em mídias sociais", disse Fernanda Romano, diretora criativa global da Euro.
A partir de março, o Ibope Nielsen Online anunciou que começará a trabalhar com duas ferramentas específicas para geração de interpretações sobre o comportamento dos internautas nas redes sociais.
Aquisição
Na semana passada, o gigante de busca na internet Google comprou o Aardvark, uma empresa iniciante de San Francisco que mistura buscas com redes sociais em seu site. Uma fonte com conhecimentos sobre a transação afirmou a agências internacionais que o acordo foi fechado por US$ 50 milhões. A aquisição representa o último sinal de interesse do Google no setor de redes sociais, dominado por empresas como Facebook e Twitter. Este mês, o Google lançou o Google Buzz, com ferramentas semelhantes às do Twitter, ao serviço de e-mail Gmail.
Grandes players da publicidade nacional, como DM9DDB e Euro RSCG, engrossam o coro de operações menores e especializadas em marketing digital, como a Enken, e passam a investir cada vez mais em ações voltadas a ampliar o espaço dos anunciantes nas redes sociais, seguindo uma tendência mundial. Elas miram o crescente interesse de marcas como Gafisa, Brastemp e IBM em participar deste universo que reúne milhões de internautas. O Orkut registrou 27 milhões de visitantes em dezembro, ou 74% do total de internautas no mês.
A DM9, agência do grupo ABC liderada por Sérgio Valente, por exemplo, criou uma área dedicada a estratégias em mídias sociais, assim como a gigante Euro RSCG. Ao reativar a Euro RSCG 4D, marca global da rede pertencente ao grupo Havas, anunciou que dará maior foco às mídias sociais. "Uma das contas globais mais recentes da rede, a da IBM, terá um projeto de monitoramento da marca em mídias sociais", disse Fernanda Romano, diretora criativa global da Euro RSCG.
Afora a mídia digital em franca expansão no País, a tecnologia da informação avança em favor das transações financeiras, e a certificação digital tornou-se instância de segurança e legitimidade no mercado. É o que afirma o vice-presidente de Relações Institucionais da Certisign, Júlio Cosentino, que vê maior procura na área de certificação digital para transações no sistema eletrônico.
Isto porque, apesar de ser mais fácil ganhar em compra de mídia e produção de sites do que investir em planejamento e criação de comunicação de redes sociais, as agências de publicidade e de mídia digital miram o crescente interesse de marcas como Gafisa, Brastemp e IBM em participar deste universo que reúne milhões de internautas, como Orkut (27 milhões de visitantes em dezembro, ou 74% do total de internautas no mês), Facebook (7 milhões de visitantes no mesmo período) e Twitter (8 milhões de visitantes). Em maio de 2009, a porcentagem de participação do Facebook era só 9%. "O crescimento de redes sociais no Brasil ultrapassa o dos sites busca e portais", afirma Cris Rother, diretora executiva do Ibope Nielsen Online, que faz medições sobre internet no Brasil.
A DM9, agência do grupo ABC liderada por Sérgio Valente, criou uma área dedicada a estratégias em mídias sociais e estima que este ano haja uma demanda acentuada para ações de convergência, com ações que se iniciam na Internet e cheguem à televisão.De acordo com Bruno Tozzini, diretor de criação de mídias sociais, essa integração já é uma realidade no planejamento das campanhas de todos os clientes da agência. "A criação é adequada a todas as mídias, passando pelas redes sociais, e a demanda tem se acentuado para quase todos os clientes da agência. Este ano, esperamos o crescimento de projetos de convergência, que podem nascer de um filme de internet para um para TV", explica.
A fabricante Brastemp e o portal Terra estão entre os clientes que realizam mais ações nas mídias sociais, que envolvem desde ações de promoção e relacionamento, como sorteio de prêmios vinculados a acessos a sites, envio de mensagens ou cadastros em redes como Twitter e Facebook, a realização de eventos, ingressos para shows e oferta de conteúdo aos usuários, como jogos, vídeos ou blogs patrocinados pelas marcas. "Grande parte das ações são voltadas à ativação de marcas e a relacionamento", diz. "Desenvolvemos recentemente um 'Autorama' virtual para a Estrela, no Twitter, que começou apenas como um jogo e evoluiu para ações promocionais", conta o criativo.
O publicitário destaca que nenhuma das ações envolve compra de mídia, embora algumas redes, como o Facebook, já comecem a sinalizar mudanças no modelo de negócio de modo a ampliar o controle sobre a receita publicitária. "Estamos azeitando com as redes e os anunciantes este modelo de remuneração, o processo está bem inicial. Até então, funcionava através da compra de mídia. Agora, a idéia é focar na criação", explica.
Muitas das ações nas redes, como criar o perfil de uma marca no Twitter, por exemplo, não envolvem investimentos diretos na mídia e envolvem a adesão voluntária dos internautas. Em 2009, a DM9 totalizou R$ 1,4 bilhão em compra de mídia.
Outra que tem conquistado clientes com a criação de planos estratégicos para inserção das marcas em mídias sociais é a Enken, especializada em mídia digital, que estima crescimento de 50% este ano por conta da expansão dos investimentos publicitários na internet.
Este ano, conquistou as contas digitais de Lacta e da rede de hospitais Santa Joana e aguarda o resultado de cinco concorrências. "As empresas começaram a nos convidar a participar das estratégias junto com outras agências. Normalmente, as campanhas já vinham com uma linha criativa definida pelas agências offline", afirma David Reck, diretor da Enken.
A empresa conquistou a conta da Gafisa, um anunciante que não tinha uma presença digital muito forte, com ações na web mais voltadas à promoção dos atributos institucionais da empresa. No meio do ano, porém, +a agência participou de uma concorrência e venceu.
O empresário vê alta demanda para as marcas nas redes sociais, mas ressalta que antes de entrar nas redes, é necessário criar uma infraestrutura de atendimento.
"Ao criar um canal na rede social, a marca cria automaticamente um canal de atendimento ao consumidor - o que ele disser vai ficar publicado. Por isso, incentivamos o anunciante a fazer um planejamento prévio para que ele avalie o retorno que isso trará à sua imagem e ajudamos o cliente a estruturar processos e departamentos para suportar os investimentos, criando um cenário de alavancagem."
Monitoramento
Outra gigante que anunciou recentemente maior foco às ações digitais foi a Euro RSCG, que reativou a Euro RSCG 4D, marca global da rede pertencente ao grupo Havas. "Nosso objetivo é dar prosseguimento à estratégia digital da Euro no mundo. Nossa meta é que a receita digital alcance a da área tradicional nos próximos 4 anos. Em alguns mercados que a rede atua, já chega a 50%", declarou Ricardo Monteiro, presidente da Euro RSCG para América Latina, Portugal e Brasil.
A rede realizou uma pesquisa de comportamento dos usuários nas mídias sociais que teve sua primeira edição feita nos Estados Unidos e este ano será replicada pelas operações de outros países, entre eles o Brasil.
O investimento em redes sociais está entre as prioridades do posicionamento da Euro no mundo inteiro, baseado em pesquisas de comportamento dos usuários e na elaboração de ferramentas para monitorar a reputação dos anunciantes nas redes. "Uma das contas globais mais recentes da rede, a da IBM, terá um projeto de monitoramento da marca em mídias sociais", disse Fernanda Romano, diretora criativa global da Euro.
A partir de março, o Ibope Nielsen Online anunciou que começará a trabalhar com duas ferramentas específicas para geração de interpretações sobre o comportamento dos internautas nas redes sociais.
Aquisição
Na semana passada, o gigante de busca na internet Google comprou o Aardvark, uma empresa iniciante de San Francisco que mistura buscas com redes sociais em seu site. Uma fonte com conhecimentos sobre a transação afirmou a agências internacionais que o acordo foi fechado por US$ 50 milhões. A aquisição representa o último sinal de interesse do Google no setor de redes sociais, dominado por empresas como Facebook e Twitter. Este mês, o Google lançou o Google Buzz, com ferramentas semelhantes às do Twitter, ao serviço de e-mail Gmail.
Grandes players da publicidade nacional, como DM9DDB e Euro RSCG, engrossam o coro de operações menores e especializadas em marketing digital, como a Enken, e passam a investir cada vez mais em ações voltadas a ampliar o espaço dos anunciantes nas redes sociais, seguindo uma tendência mundial. Elas miram o crescente interesse de marcas como Gafisa, Brastemp e IBM em participar deste universo que reúne milhões de internautas. O Orkut registrou 27 milhões de visitantes em dezembro, ou 74% do total de internautas no mês.
A DM9, agência do grupo ABC liderada por Sérgio Valente, por exemplo, criou uma área dedicada a estratégias em mídias sociais, assim como a gigante Euro RSCG. Ao reativar a Euro RSCG 4D, marca global da rede pertencente ao grupo Havas, anunciou que dará maior foco às mídias sociais. "Uma das contas globais mais recentes da rede, a da IBM, terá um projeto de monitoramento da marca em mídias sociais", disse Fernanda Romano, diretora criativa global da Euro RSCG.
Afora a mídia digital em franca expansão no País, a tecnologia da informação avança em favor das transações financeiras, e a certificação digital tornou-se instância de segurança e legitimidade no mercado. É o que afirma o vice-presidente de Relações Institucionais da Certisign, Júlio Cosentino, que vê maior procura na área de certificação digital para transações no sistema eletrônico.

